Quarta-feira, 13 de Maio de 2009
Faxina
Domingo, 10 de Maio de 2009
(é tudo piada)
Tudo azul
No céu desbotado
E alma lavada
Sem ter onde secar
Eu corro, eu berro
Nem dopante me dopa
A vida me endoida
(...)
Se eu vou pra casa
Vai faltando um pedaço
Se eu fico, eu venço
Eu ganho pelo cansaço
Dois olhos verdes
Da cor da fumaça
E o veneno da raça
(...)
Levando em frente
Um coração dependente
Viciado em amar errado
Crente que o que ele sente
É sagrado
E é tudo piada
E é tudo piada
(Cazuza e Frejat)
Quarta-feira, 8 de Abril de 2009
Corpos de sal grosso, cama-enseada - a baía que não cortava a nossa distância.
Segunda-feira, 2 de Março de 2009
valsa brasileira
Sexta-feira, 27 de Fevereiro de 2009
“que medo alegre o de te esperar”
clarice lispector
Quinta-feira, 19 de Fevereiro de 2009
Sexta-feira, 13 de Fevereiro de 2009
(Clarice Lispector in Uma aprendizagem ou o Livro dos prazeres)
Quinta-feira, 5 de Fevereiro de 2009
Sábado, 31 de Janeiro de 2009
Maré
Mais uma vez
vem o mar
se dar
como imagem
Passagem
do árido à miragem
Sendo salgado
gelado
ou azul
Será só linguagem
Mais uma vez
vejo o mar
voltar
como imagem
Passagem
de átomo a paisagem
Estando emaranhado
verde azul
Será ondulado
Irado emaranhado
verde azul
Será ondulado
(Adriana Calcanhotto - Maré)
Quarta-feira, 14 de Janeiro de 2009
Diferenças, medos e aceitação
Diz que me ama
Mas o que é que eu fiz
Porque há mais de uma semana
Você está de má vontade
Tudo o que eu digo parece bobagem
Apesar de achar que, em parte
O que você diz é verdade
Mas isso não é nenhum desastre
Pois nunca é tarde pra saber
Que não há nada errado em sermos diferentes
(Só somos diferentes).
[Nando Reis - Sortimento]
* * *
Vou tentar manter o coração aberto pra você,
Apesar dos outros,
Apesar dos medos,
Apesar dos monstros nos meus pesadelos
Vou tentar manter o coração aberto pra você,
Apesar dos trincos,
Apesar dos trancos,
Apesar dos dias repetidos que são tantos.
Eu vou tentar manter o coração aberto pra você.
Apesar da chuva,
Apesar da rua,
Apesar da hora,
Apesar dos pesares, das canções, dos lugares,
Apesar dos meus pensamentos, dos perigos, dos próximos momentos.
Eu de coração aberto pra você,
de coração aberto pra você.
[Aberto - Zélia Duncan e Edu Tedeschi]
Segunda-feira, 12 de Janeiro de 2009
mar de pôr do sol
Tão logo o sol se pôs no porto,
entrei no mar.
Resquícios de luz
fizeram dele um alaranjado só,
num banho de me dourar: tão pérola.
Sozinha com meus pesos,
meus sais
meus tempos
- sou fênix marinha e meus descaminhos vicejam e me purificam
[ quando a água me acolhe.
Quarta-feira, 31 de Dezembro de 2008
Para a virada de ano...
"É talvez o último dia da minha vida.
Saudei o sol, levantando a mão direita,
Mas não o saudei, dizendo-lhe adeus.
Fiz sinal de gostar de o ver ainda, mais nada."
Caeiro
______
Terça-feira, 30 de Dezembro de 2008
Em tempo: o meu amor ainda caminha sobre frágeis trilhos de papel.
Segunda-feira, 22 de Dezembro de 2008
outras letras para marina)
da pele de sua poesia
emergem lavas vulcânicas
- o céu fica todo cor de carmim.
aqueço-me
em seus versos deLírios
e anuncio:
ela é a mulher-loba que uiva em palavras.
(Feliz aniversário, querida. Que os seus olhos nunca se fechem pra delicadeza do mundo...)
Domingo, 21 de Dezembro de 2008
Sexta-feira, 12 de Dezembro de 2008
tão perto que tua mão no meu peito é minha,
tão perto que os teus olhos se fecham com o meu sono.
Neruda.
Quinta-feira, 11 de Dezembro de 2008
Segunda-feira, 1 de Dezembro de 2008
"Sorry if I hurt you, baby,
Sorry if I did
Sorry if I touched the place
Where your secrets are hid
But you meant more than everything,
And I could not pretend,
I ain't never gonna be the same again..."
(Bob Dylan - Never gonna be the same again)
Domingo, 30 de Novembro de 2008
A intimidade
Gosto quando a intimidade vem sorrateira, sem pedir licença, quando cai como luvas em minhas mãos ressecadas. O clichê faz sala para as palavras, mas eu pouco me importo se é piegas e tão dito pelas bocas mundo afora. Importa-me mais ser chamada pra deitar no teu peito e querer, querer também as pernas encaixadas e nossos pés com linguagem própria. E a gente se olha com timidez e a intimidade já está lá, sem muito tempo a perder, fazendo tanto por nós. Lava a louça antes que a gente se incomode, prepara sobremesas, o banho, economiza pratos, cerimônias, dizeres... A intimidade ri da dor de barriga imprevisível, do beijo quando descompassado, das gafes que nenhum cinéfilo perdoaria, da música brega que insiste em martelar na cabeça. Ri dos nossos olhares, das nossas inquietações, dos monstros que somos nós e não somos e não sabemos.




