Ando com vontade de clarear isso aqui.
A noite tem me sido tão indigesta.
quarta-feira, 1 de setembro de 2010
quarta-feira, 18 de agosto de 2010
Lugar
.
Aqui, o barulho dos corredores
Parece não me dizer respeito.
Atravesso quase invisível
As densas camadas da escassa interação
Como se fosse para fora,
Como se fosse estranho.
Insistente, quando não indecisa,
Essa realidade arfa sobre mim
Com seus tentáculos atrozes.
Às vezes humilde,
Noutras desencorajada,
Permaneço em meu lugar:
Enumerando solidões.
(Isabella Maia)
quarta-feira, 23 de junho de 2010
Sagrado coração
E quando vi seus olhos
E a alegria no seu corpo
E o sorriso nos seus lábios
Eu quase acreditei
Mas é tão difícil
Por isso lhe peço, por favor,
Pense em mim, ore por mim
E me diga:
- Este lugar distante está dentro de você.
E me diga que nossa vida é luz
Me fale do sagrado coração
Porque eu preciso de ajuda.
(Renato Russo - Sagrado coração)
domingo, 20 de junho de 2010
quinta-feira, 10 de junho de 2010
Os (aparentes) contrastes da psicologia
Faço uma prece:
Que eu não deixe de perceber que qualquer ato meu, ainda que indiretamente, acalenta uma criança e sua mãe. Há sempre alguns olhares para me lembrar disso pelos corredores. Que eu não deixe de vê-los.
São eles que vão me salvar quando as burocracias parecerem me sugar.
Sim. Há algo MUITO maior.
Terça-feira
era uma mulher
e um ramo de ervas
próximo ao nariz.
senti o cheiro:
não era de chá nem de terra.
era cheiro de rugas,
de tempo suspenso
de fazer poético
em pleno meio-dia.
meu olhar interviu sem querê-lo
e eu fotografei o susto
a la manoel de barros.
terça-feira, 1 de junho de 2010
Antony and the johnsons - One Dove
One dove
You’re the one I’ve been waiting for
Through the darkfall
The nightmares the lonely nights
I was born
A curling fox in a hole
Hiding from danger
Scared to be alone
One dove
To bring me some peace
In starlight you came from the other side
To offer me mercy
Mercy, mercy
One dove
I’m the one you’ve been waiting for
From your skin I am born again
I wasn’t born yesterday
You were old and hurt
I was longing to be free
I see things you were too tired
You were too scared to see
One dove
To bring me some peace
In starlight you came from the other side
To offer me mercy
Mercy, mercy
Eyes open
Shatter eyes
sexta-feira, 21 de maio de 2010
Se te parecer distante,
Escassa de peito aberto,
Não convoque espinhos
Para dançar conosco.
- Não quero mais a fixação dos cortes.
Ao seu lado desaprendo ofícios,
Recuso chispantes faróis,
Sou alforriada do vale dos ventos.
Círculo dos infernos dantescos.
- Pés bailarinos transformam pesos.
Quando vierem artimanhas,
Descaradas sabotagens,
Relembrarei eloqüências
Em imagens.
- Só há céu em lilás degradê quando o sol não arde no rosto.
Acordo desejos sutis.
Cheiro da cidade,
Voz dos ancestrais,
Tempo largo de casas com quintal.
- Frondosos matos cobrem fronteiras.
quinta-feira, 20 de maio de 2010
Lista das pequenas (e pontuais) resistências
Intuir vida em cabelos molhados
Desdobrar joelhos
Cheirar manjericão
Refogar cebolas no azeite
Tatear meu colar de Murano.
quarta-feira, 12 de maio de 2010
Portinari
"Vim da terra vermelha e do cafezal.
As almas penadas, os brejos e as matas virgens
Acompanham-me como o espantalho,
Que é o meu auto-retrato.
Todas as coisas frágeis e pobres
Se parecem comigo"
Candido Portinari
terça-feira, 11 de maio de 2010
Pulsões
quarta-feira, 24 de março de 2010
...
quarta-feira, 3 de março de 2010
Espio um jardim
Obs: Texto escrito em volúpia, sem censuras, como uma queda d'água que flui em rapidez, inspirado nas palavras de um jardim suspenso.
domingo, 24 de janeiro de 2010
I
Quando queimei as pontes
O sagrado se espalhou como pólen
Transparente-lilás
- dulcíssimo exposto-mistério.
Penetrou as flores mais intocáveis
(tulipas entre os entulhos)
E as pequenas rachaduras
Nos cacos de vidro do muro
Altiva, eu nada quis reter.
Quando o lodo secou
(crosta na pele)
A fauna noturna sugou minha seiva,
Meus anticorpos.
Censurada, eu desaprendi a chorar.
Em cólera, perguntei:
Deus, por onde me espia
Para eu ultrapassar essa fresta?
quinta-feira, 21 de janeiro de 2010
Carne viva
(Clarice Lispector. Uma aprendizagem ou o livro dos prazeres. P. 121)
sexta-feira, 18 de dezembro de 2009
Processo-dor I
Em hiato,
afastam-se as palavras.
Eu oro em desespero:
Muros se partam
para o meu sumo sair,
escorrer cintilante
em grito inflamado.
Os senhores vigilantes de todo o movimento
caçoam da minha alteridade
enfraquecem o jorro,
essa potência de vida.
O olhar, no entanto,
persegue ousado
a composição que atinge a víscera.
Alimento minhas algas marinhas,
mas não consigo expelir.
quinta-feira, 17 de dezembro de 2009
O coração comprime meu trinco.
A poesia encardida,
Impregnada das minhas fugas,
Acossa a saída como se fosse ver o mar.
Sendo que há tanto espelho
A me contar do que tanto sei.
(Cotidiano-caos,
Lamentável corte me atravessando impiedoso).
Acolho esse inferno de mim
Como uma sacramentada tristeza.
Eu não me abandono...
Maldigo o meu estar,
A minha espera desigual.
Mas não impeço o passo,
Impetuosa que sou.
terça-feira, 17 de novembro de 2009
Canção para dizer adeus
"Me and Joey started a fire in the road
Just to watch it glow
Me and you we did the same damn thing
We fell in love knowing the pain it would bring
Now all I do is sing sad songs with red eyes
Let's keep this quiet
Hear our hearts in the distance like cannon fire
See our breath in the window, in the turning light"





